Zonas afetadas pelo tsunami

Uma viagem de reflexão fora de Sendai

Por Justin Velgus   13/03/2015

Já passaram três anos desde o Grande Terramoto do Este do Japão, e há um misto de emoções no ar. Alguns dizem que a relação da construção com o governo atrasa a reconstrução, outros reclamam que o dinheiro não está onde é necessário. Há enormes problemas por resolver tais como a limpeza da crise nuclear de Fukushima, o estabelecimento de áreas permanentes para viver e trabalhar para aqueles que ainda se encontram em alojamentos temporários, e muitas outras coisas para discutir neste artigo. A realidade é que pessoas sofreram e comunidades foram destruídas. Há muitas organizações e indivíduos a ajudar nos esforços de recuperação à sua maneira, mas acima de tudo, aqueles que foram assolados pelo tsunami ao longo da costa no exterior de Sendai querem uma coisa: não ser esquecidos.

Podemos todos simpatizar com isso. Pare um momento para refletir e agradecer por estar vivo.

Para ver as áreas afetadas pelo tsunami, a sua melhor opção é alugar um carro. A privacidade e a liberdade da condução significa que não precisar de se preocupar com quaisquer emoções na presença de estranhos em autocarros ou em grupos de excursões, assim como pode passar o tempo que quiser nos locais que pretender. Alugar um carro é fácil pois existem vários locais onde o pode fazer junto à Estação JR de Sendai. Pode perguntar no centro de turismo dentro da estação para o ajudarem a encontrar um ou mesmo a fazer uma reserva. Eu acabei por ir a vários locais de aluguer de automóveis dado que vários estavam já esgotados por ser fim-de-semana. Os preços variam entre uns meros 2500 ienes até 8000 ienes. Faça compras pela zona e considere fazer uma reserva com antecedência se puder. Quando receber a chave, está na hora de conduzir.

Poderia conduzir durante cerca de uma hora e meia até Ishinomaki, frequentemente referida como a cidade mais danificada pela enorme onda, mas uma opção muito mais viável é conduzir durante 25 minutos até à costa no exterior da cidade. O caminho é fácil e consiste basicamente numa longa estrada em linha reta. Use o GPS do seu carro ou pergunte o caminho aos habitantes locais no caso de se perder. Dado terem passado três anos desde aquele dia, não verá destroços como as famosas imagens de pilhas de carros, paisagens de lixo, ou os enormes barcos de pesca que entraram costa dentro. Houve progressos. A mão-de-obra das equipas de construção, a força de defesa japonesa,  e incontáveis voluntários, juntamente com mais de duas dezenas de incineradores construídos especificamente para a remoção de destroços a trabalhar durante todo o dia, limparam a região com uma eficiência incrível. Os próximos sete anos serão dedicados à construção e recuperação dos meios de subsistência e das comunidades dos habitantes da região.

Durante a minha viagem comecei por ir a Gamo, uma região não muito longe da Fábrica de Cerveja Kirin de Sendai, que também foi fortemente danificada mas recuperou desde então. Em Gamo, pode caminhar pelas praias, enquanto observa as árvores que ficaram dobradas por causa do fortíssimo fluxo de água que veio do horizonte. Também vi surfistas, apesar do dia ventoso que estava. Conduza mais alguns minutos para sul e tudo à sua volta estará plano. Verá bases de cimento onde as casas estavam construídas, e eu vi mesmo peculiares artigos pessoais como uma escova e uma máquina de lavar que ficaram para trás. Aperceber-se-á muito rapidamente que aqui viveram pessoas. Pensei, "O que estariam elas a fazer quando o terramoto e o tsunami vieram?" Surpreendentemente, praticamente todas as áreas são abertas ao público. Pode livremente conduzir pelas ruas e caminhar através dos destroços. Continuando pela costa, tirei algumas fotografias de casas que se mantiveram parcialmente em pé, mas que de nenhuma forma são habitáveis. Uma casa tinha ficado sem todo o seu primeiro andar. Outra, consegui espreitar para o seu interior através de uma parede em falta, e consegui ver o sítio onde ficava o altar da família. Ainda que não esteja bloqueado o acesso, não entre nos edifícios em ruínas para sua segurança e por respeito.

Há dois locais que tem de visitar. O primeiro é Arahama, onde as pessoas fugiram para uma escola elementar, onde uma estátua Budista foi erigida como local de oração, e também uma área onde se podem ver fotografias da cidade antes e durante o tsunami. Ainda há muitas bases de casas e alguns destroços na zona. Veja fotos aqui. O segundo local de interesse é Yuriage, onde pode visitar um santuário numa colina artificial e ver um memorial na escola de 3º ciclo local que poderá fazê-lo chorar. Clique aqui para ver mais.

Ainda que haja sinais de esperança em projetos de comunidade, voluntariado, e um lento regresso à normalidade para alguns, há ainda muito a ser feito. Ver as áreas afetadas com os seus próprios olhos e partilhar os seus pensamentos, e o mero ato de visitar Tohoku para aumentar o turismo, merecem muitos agradecimentos por parte dos habitantes locais e aqueles que como eu agora chamam de lar a este local. Obrigado de Tohoku por se lembrarem de nós.

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Andre Moreira

Andre Moreira @Andre Moreira

Born in the Portuguese countryside in 1990, I've been living in Japan since 2012. After finishing my Computer Engineering University Course in Lisbon, Portugal, I decided to study Japanese in Tokyo, with the purpose of continuing my studies there. After one year of studying of the language, I entered a Japanese Professional College where I finished my study in 2015. I am now working in a videogame Japanese company as Motion Designer. I also write in my blog about Japan. My goal is to introduce Japan to anyone who is interested in the culture, the language, the music, the anime, the food, and so on. And that's what you can find there: everything! Plus, my experience here as a Portuguese expat. You can access through this link: The Rising Sky Blog Should you have some questions on how to come to Japan, what to do, where to study, etc., feel free to contact me!

Original by Justin Velgus

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