Ogino, Estadia numa Quinta em Fukushima

Uma experiência refrescante na quinta de algodão

Por Izumi Kershaw   07/10/2016

Após três horas de viagem de Tóquio a Fukushima, sou atingido por uma súbita onda de excitação ao ver as montanhas e campos distantes cobertos de neve. A quietude da paisagem e clareza das montanhas para lá da cidade são impressionantes. É difícil imaginar o quão apertado eu me senti esta manhã no comboio em hora de ponta em Tóquio.

Menos de 200 km a norte de Tóquio, Fukushima é famosa por muitos espetáculos naturais, como Goshikinuma e o Lago Inawashiro. Na história japonesa, a prefeitura é bem conhecida pela byakkotai, um clã de crianças samurai que lutou na Guerra Boshin. O clima é propício à produção de diversos produtos agrícolas desde arroz convencional a pêssegos e algodão. Durante a minha visita na primeira semana de dezembro, viajei até Fukushima e aprendi muito sobre esta bela região.

Chegando à estação de Ogino, fui calorosamente recebida pela minha anfitriã Sra. Sato. A sua casa situava-se numa zona cheia de pequenos campos de um branco brilhante devido à neve e árvores de dióspiro erguendo-se com elegância. Ao entrar em sua casa, fui recebida na sala de estar e rapidamente me aconcheguei no kotatsu com a Sra. Sato para aquecer. Começámos a conversar à medida que saboreávamos o chá verde.

Embora as terras da Sra. Sato não terem sido afetadas pelos desastres de 11 de março de 2011, muitas casas de estadia em quintas por toda a Fukushima foram deixadas com pouco ou nenhum negócio em produtos alimentares devido a receios prolongados. Para reacender a criação de emprego, muitos agricultores voltaram-se para o algodão, uma cultura que pode ser cultivada nos mesmos campos. Como o Japão importa a maior parte do seu algodão, este novo projeto não só ajuda a restaurar a agricultura em Fukushima, como também ajuda a indústria de algodão plantado no Japão.

Como membros do clube de turismo verde, a família Sato disponibiliza muitas vezes a sua casa a turistas orientando-os através da zona e ensinando-lhes práticas agrícolas locais. Eu tive a oportunidade de participar nos processos de corte de sementes, fiação e tecelagem. Sem nenhum conhecimento prévio sobre algodão e com pouca confiança, eu estava hesitante, mas a Sra. Sato foi bastante amável e explicou-me e demonstrou cada etapa calmamente. Mesmo sem perceber japonês, as instruções podem ser facilmente compreendidas visualmente.

Corte de sementes

Usando um descaroçador de algodão, começámos a separar as fibras de algodão das sementes. Apesar de ser um processo simples, fiquei logo atraída e gostei muito de ver a fibra de algodão a ser puxada pelos rolos à medida que rodava a maçaneta.

Fiação

As fibras de algodão recolhidas são levadas a uma loja de futon local para serem pressionadas e alisadas. Uma vez pressionadas, nós retirámos finos pedaços de algodão e torcemo-los para começar a criar um fio. Aparentemente simples, acabei por falhar várias vezes pois o algodão rasgava-se muito mais facilmente do que estava à espera. Usando a roda, o algodão torna-se mais consistente e é girado para um talo de arroz, enquanto ferve durante 20, 30 minutos, antes de os pendurar para secar por um dia ou dois.

Tecelagem

Uma vez seco, o fio está pronto para a tecelagem. A Sra. Sato ensinou-me a "tecelagem clássica" uma tarefa de que gostei imenso, apesar de minha pobre prestação. O que era suposto ser uma pequena e simples caneca com uma base por baixo acabou por se transformar em algo muito diferente, mas tenho a certeza de que vou encontrar um uso para isto.

A minha estadia foi de apenas 5 horas, mas muitos visitantes ficam durante vários dias. A fim de tirar o máximo proveito da sua viagem, recomendo que se hospede pelo menos uma noite para que possa participar em mais atividades, explorar o exterior e apreciar as especialidades locais. A simpatia que recebi dos moradores locais e o conforto que senti na casa da família Sato é diferente de qualquer experiência que tive com estranhos em Tóquio. Estas são pessoas que têm um forte sentido de comunidade e que há muito tempo protegem o belo ambiente natural que o Japão tem para oferecer.

Ogino está localizada na parte ocidental de Fukushima, perto da fronteira com Niigata. Existem duas vias principais  a partir de Tóquio:

  1. A partir de Shibuya, apanhe a linha Saikyo da JR até Omiya. Em Omiya mude para o comboio bala até Koriyama. Em Koriyama, volte à JR de Koriyama até Ogino na linha Banetsu Oeste.
  2. A partir de Ueno, apanhe o comboio bala Toki da JR para Niigata. Mude para o expresso Agano da JR para Aizuwakamatsu para chegar a Ogino. Este percurso é o mais caro dos dois.

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Andre Moreira

Andre Moreira @Andre Moreira

Born in the Portuguese countryside in 1990, I've been living in Japan since 2012. After finishing my Computer Engineering University Course in Lisbon, Portugal, I decided to study Japanese in Tokyo, with the purpose of continuing my studies there. After one year of studying of the language, I entered a Japanese Professional College where I finished my study in 2015. I am now working in a videogame Japanese company as Motion Designer. I also write in my blog about Japan. My goal is to introduce Japan to anyone who is interested in the culture, the language, the music, the anime, the food, and so on. And that's what you can find there: everything! Plus, my experience here as a Portuguese expat. You can access through this link: The Rising Sky Blog Should you have some questions on how to come to Japan, what to do, where to study, etc., feel free to contact me!

Original by Izumi Kershaw

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