Ogino, Estadia numa Quinta em Fukushima

Uma experiência refrescante na quinta de algodão

Por Izumi Kershaw   

Após três horas de viagem de Tóquio a Fukushima, sou atingido por uma súbita onda de excitação ao ver as montanhas e campos distantes cobertos de neve. A quietude da paisagem e clareza das montanhas para lá da cidade são impressionantes. É difícil imaginar o quão apertado eu me senti esta manhã no comboio em hora de ponta em Tóquio.

Menos de 200 km a norte de Tóquio, Fukushima é famosa por muitos espetáculos naturais, como Goshikinuma e o Lago Inawashiro. Na história japonesa, a prefeitura é bem conhecida pela byakkotai, um clã de crianças samurai que lutou na Guerra Boshin. O clima é propício à produção de diversos produtos agrícolas desde arroz convencional a pêssegos e algodão. Durante a minha visita na primeira semana de dezembro, viajei até Fukushima e aprendi muito sobre esta bela região.

Chegando à estação de Ogino, fui calorosamente recebida pela minha anfitriã Sra. Sato. A sua casa situava-se numa zona cheia de pequenos campos de um branco brilhante devido à neve e árvores de dióspiro erguendo-se com elegância. Ao entrar em sua casa, fui recebida na sala de estar e rapidamente me aconcheguei no kotatsu com a Sra. Sato para aquecer. Começámos a conversar à medida que saboreávamos o chá verde.

Embora as terras da Sra. Sato não terem sido afetadas pelos desastres de 11 de março de 2011, muitas casas de estadia em quintas por toda a Fukushima foram deixadas com pouco ou nenhum negócio em produtos alimentares devido a receios prolongados. Para reacender a criação de emprego, muitos agricultores voltaram-se para o algodão, uma cultura que pode ser cultivada nos mesmos campos. Como o Japão importa a maior parte do seu algodão, este novo projeto não só ajuda a restaurar a agricultura em Fukushima, como também ajuda a indústria de algodão plantado no Japão.

Como membros do clube de turismo verde, a família Sato disponibiliza muitas vezes a sua casa a turistas orientando-os através da zona e ensinando-lhes práticas agrícolas locais. Eu tive a oportunidade de participar nos processos de corte de sementes, fiação e tecelagem. Sem nenhum conhecimento prévio sobre algodão e com pouca confiança, eu estava hesitante, mas a Sra. Sato foi bastante amável e explicou-me e demonstrou cada etapa calmamente. Mesmo sem perceber japonês, as instruções podem ser facilmente compreendidas visualmente.

Corte de sementes

Usando um descaroçador de algodão, começámos a separar as fibras de algodão das sementes. Apesar de ser um processo simples, fiquei logo atraída e gostei muito de ver a fibra de algodão a ser puxada pelos rolos à medida que rodava a maçaneta.

Fiação

As fibras de algodão recolhidas são levadas a uma loja de futon local para serem pressionadas e alisadas. Uma vez pressionadas, nós retirámos finos pedaços de algodão e torcemo-los para começar a criar um fio. Aparentemente simples, acabei por falhar várias vezes pois o algodão rasgava-se muito mais facilmente do que estava à espera. Usando a roda, o algodão torna-se mais consistente e é girado para um talo de arroz, enquanto ferve durante 20, 30 minutos, antes de os pendurar para secar por um dia ou dois.

Tecelagem

Uma vez seco, o fio está pronto para a tecelagem. A Sra. Sato ensinou-me a "tecelagem clássica" uma tarefa de que gostei imenso, apesar de minha pobre prestação. O que era suposto ser uma pequena e simples caneca com uma base por baixo acabou por se transformar em algo muito diferente, mas tenho a certeza de que vou encontrar um uso para isto.

A minha estadia foi de apenas 5 horas, mas muitos visitantes ficam durante vários dias. A fim de tirar o máximo proveito da sua viagem, recomendo que se hospede pelo menos uma noite para que possa participar em mais atividades, explorar o exterior e apreciar as especialidades locais. A simpatia que recebi dos moradores locais e o conforto que senti na casa da família Sato é diferente de qualquer experiência que tive com estranhos em Tóquio. Estas são pessoas que têm um forte sentido de comunidade e que há muito tempo protegem o belo ambiente natural que o Japão tem para oferecer.

Ogino está localizada na parte ocidental de Fukushima, perto da fronteira com Niigata. Existem duas vias principais a partir de Tóquio:

  1. A partir de Shibuya, apanhe a linha Saikyo da JR até Omiya. Em Omiya mude para o comboio bala até Koriyama. Em Koriyama, volte à JR de Koriyama até Ogino na linha Banetsu Oeste.
  2. A partir de Ueno, apanhe o comboio bala Toki da JR para Niigata. Mude para o expresso Agano da JR para Aizuwakamatsu para chegar a Ogino. Este percurso é o mais caro dos dois.

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Andre Moreira

Andre Moreira @andre.moreira

Born in the Portuguese countryside in 1990, I've been living in Japan since 2012. After finishing my Computer Engineering University Course in Lisbon, Portugal, I decided to study Japanese in Tokyo, and pursue my studies there. After one year of studying of the language, I entered a Japanese Professional College where I finished my studies in 2015. I am now working in the videogame industry as a Technical Artist.I love traveling in Japan and have been to a lot of places with my wife! There are still many spots on my list... Where should I go next?

Original por Izumi Kershaw

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