Sannenzaka, Quioto

Flores e bolos em Higashiyama

 Por Bonson Lam   17/11/2016

Onde iria uma rapariga de Kansai quando quisesse desfrutar de Quioto? Eri, uma estudante japonesa de Osaka, partilha a história da sua estadia em Quioto.

"O meu percurso favorito em Quioto começa por sair na estação de comboio de Kawaramachi Hankyu e caminhar até ao templo de Kiyomizudera. Não me lembro ao certo de quanto tempo demorei no percurso, mas penso que levou pelo menos meia hora para chegar ao templo. No entanto, havia um monte de lojas de lembranças em ambos os lados da rua, por isso não senti que fosse um caminho longo e gostei muito de passear lá.

Acho que a primavera e o outono são as melhores estações para visitar Quioto, porque Quioto é muito quente no verão e muito fria no inverno. Além disso, Quioto é um lugar popular para apreciar sakura (flor de cerejeira) na primavera e para apreciar momiji (folhas de bordo vermelhas) no outono.

De entre todos os famosos templos de Quioto, o templo de Kiyomizudera é um dos mais famosos. Também é bastante famoso para apreciar sakura e momiji. Essa é uma das razões pelas quais eu lá vou sempre que amigos meus que moram noutras regiões do Japão me visitam.

Depois de visitar o templo de Kiyomizudera, desço a rua comendo Yatsuhashi (massa de bolinho de canela). Em seguida, a caminho da estação, há um café que vende o delicioso warabi mochi, um doce tipo gelatina feito de amido de samambaia e coberto ou mergulhado em kinako (uma doce farinha de soja tostada). Eu quase sempre passo no café e como warabi mochi. É uma pausa agradável depois de uma boa caminhada. Depois passeio pelo Santuário de Yasuka e chego à estação.

Agora que estou a pensar nisto, sinto mais falta de warabi mocho do que de sakura ou momiji. Bolos de arroz (ou mochi) são melhores do que flores. Há um ditado japonês, Hana yori dango, o que significa que é melhor encher a barriga do que os seus olhos."

Sannenzaka é também um ótimo lugar para observar o microcosmos da sociedade japonesa a funcionar. Pode ver o mundo a passar a partir da janela de uma casa de chá com trezentos anos, e se eu me encontrar com uma pessoa de Quioto na semana seguinte, a sua opinião pode ser diferente. Como Eri é de Osaka, habituada à cozinha de Kansai, foi interessante ver o seu apreço pela comida de Quioto.

No filme "Linha Hankyu - Um Milagre de Quinze Minutos", havia uma estudante universitário que gostava muito de samambaia, e fantasiava em sair para uma linha ferroviária só para obter um pedaço. Se eu lhe disser que samambaia é um feto cujo amido é usado para fazer bolos de arroz tipo gelatina japonesa, provavelmente vai rir-se. Mas, na verdade, as palavras "gelatina" ou "bolo" não fazem justiça a quão tenro e delicioso é este doce. Se ainda não está convencido, há muitas bancas de comida onde pode provar todos os tipos de doces e biscoitos. Irá com certeza descobrir warabi mochi. Algumas destas casas de chá costumavam ser paragens usuais para os peregrinos, mas hoje em dia os peregrinos fazem uma viagem muito menos assustadora.

Por outro lado, diz-se que uma pessoa de Quioto provavelmente passaria horas a tentar decidir se quer comprar uns chinelo, uma bolsa de quimono, ou um belo leque desdobrável. Sendo a casa de muitos artesanatos, de papel (washi) a bonecos para a realeza, não é de admirar que as pessoas de Quioto saibam tanto sobre design.

De estudantes a reformados, de monges a punks, Sannenzaka acolhe pessoas de todo o mundo. As casas comerciais ao estilo Edo e as casas de chá restauradas são tão perfeitas, que quase se parecem com um cenário de filme. E, de facto, se vaguear por um beco tranquilo, poderá ver um filme a ser gravado, especialmente entre as casas e ryokans ao longo de Ishibeikoji.

Se estiver hospedado num hotel ou ryokan nas redondezas, venha no início da manhã antes dos viajantes de excursões e caminhe à luz da manhã à medida que as lojas abrem as persianas para o dia.

Há tantas coisas para ver e fazer, por isso, tal como num filme, o seu momento favorito pode ser diferente do do seu amigo. Dê uma olhadela e faça a sua própria descoberta pessoal.

Escrito por Bonson Lam
Parceiro da JapanTravel
Traduzido por Andre Moreira

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