Jardins do Este do Palácio Imperial

Oásis de calma numa cidade agitada

Por Abi Barber   

Os telhados verdes do Palácio Imperial espreitam por entre a folhagem densa e escura do parque que o rodeia. Em apenas dois dias por ano (2 de janeiro e no dia do aniversário do Imperador) a população tem permissão para entrar nos jardins interiores do palácio sem solicitar uma licença especial. Durante o resto do ano, temos de nos contentar em vaguear pela praça bem cuidada e pelos Jardins do Este. Na verdade, não é assim tão mau - eles são belíssimos e, com um pouco de imaginação, pode até fingir que é um guerreiro samurai.

Imagine a cena: um longo corredor no palácio, tatami e telas de papel abafando os sons da vida que decorre noutros lugares. Dois oficiais de alto escalão encontram-se, trocam palavras acaloradas, um desembainha a espada e tenta matar o outro... Mas desembainhar a espada no Palácio Imperial é uma ofensa imperdoável. A história do suicídio ritual do oficial e dos 47 rōnin (guerreiros sem mestre) que ele deixa para trás, a sua vingança e subsequente sentença ao suicídio em massa foi imortalizada no teatro japonês (bunraku e kabuki) como Chūshingura, além de ter sido adaptada pelo menos dez vezes para filme e televisão. De facto, assim tão emocionante e trágica é a história que Hollywood fez, com “47 Ronin”, no qual participa o fantástico Hiroyuki Sanada e Keanu Reaves, lançado em 2013.

Hoje, pouco resta do castelo original nos Jardins do Este. No entanto, há uma placa que mostra onde ficava “o” corredor, e foi para cima e para baixo neste caminho que o meu irmão e eu nos perseguimos alegremente, demonstrando as nossas habilidades de samurai "terrivelmente não impressionantes". Também nos divertimos a subir até ao topo das ruínas da antiga torre do castelo, cujas enormes pedras da fundação nos lembram da força e habilidade da engenharia japonesa do século XVII. Isto é ainda mais fácil de perceber na parede gigante com que nos deparamos depois de entrar pelo portão Otemon, e as três fantásticas casas de guarda que se alinham no caminho, levando-o até ao jardim.

Os jardins têm uma vasta variedade de plantas e flores, projetadas para florir durante todo o ano. No início do ano, as flores de inverno começam a surgir - as flores kanzakura e ume lutam contra o frio para nos lembrar que a primavera está a chegar. Os jardins são um local popular para hanami em março/abril, e depois disso vêm as íris e magnólias, seguidas por árvores momiji vermelhas e laranjas flamejantes no outono. Há também uma secção com uma árvore ou arbusto de cada região do Japão. Um calendário completo de flores para o ano inteiro está disponível aqui.

Na minha opinião, os Jardins do Este não são os jardins mais bonitos de Tóquio. No entanto, vale a pena visitá-los para aprender sobre as histórias do passado, além de que lhe proporcionarão um oásis de tranquilidade bem no meio desta gigantesca metrópole. Não vai demorar muito a caminhar e a entrada é gratuita, então porque não dar uma olhada?

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Andre Moreira

Andre Moreira @andre.moreira

Born in the Portuguese countryside in 1990, I've been living in Japan since 2012. After finishing my Computer Engineering University Course in Lisbon, Portugal, I decided to study Japanese in Tokyo, and pursue my studies there. After one year of studying of the language, I entered a Japanese Professional College where I finished my studies in 2015. I am now working in the videogame industry as a Technical Artist.I love traveling in Japan and have been to a lot of places with my wife! There are still many spots on my list... Where should I go next?

Original por Abi Barber

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