Mishima: Porta para o Monte Fuji

Parque da cidade de Mishima e outras indicações úteis

Por Ines Matos   

A partir de Tóquio, muitos são os visitantes que desejam ir ver o Monte Fuji. A silhueta inconfundível da montanha sagrada é efectivamente visível de alguns pontos da cidade, bem como das praias de Kamakura, mas para ir realmente ao Monte Fuji tem sempre de passar por Mishima. Este artigo irá guiá-lo até lá e dar algumas dicas úteis.

Estando na Estação central de Tóquio, pode apanhar o shinkansen para Mishima. Se tiver o Japan Rail Pass, a viagem já está incluída, mas mesmo que não tenha o bilhete também não é muito caro, custando apenas 35 euros se apanhar o Kodama. Em apenas uma hora faz este percurso. Note que em épocas altas para a escalada o comboio pode estar esgotado se aparecer na hora para comprar o bilhete, por isso é melhor comprar no dia anterior.

Uma vez na estação de Mishima, pode mudar para a linha regional e ir para qualquer outra localidade próxima, o que será a melhor opção se quiser encontrar um alojamento com boa relação qualidade-preço. Quando eu acompanho grupos de turistas no Japão, costumo marcar hotel em Numazu. Trata-se de uma pequena cidade portuária, a apenas uma estação de distância de Mishima, e em Numazu tem muitas opções de hotéis visto que é considerado um ponto crucial para convenções de negócios. Os restaurantes do porto de pesca são especialmente bons em sushi e sashimi, e toda a cidade tem um ambiente tranquilo e bom clima. Se desejar a experiência de uma cidade mais refinada, recomendo Atami, que é um histórico resort termal, com uma praia urbana muito bonita, e que tem o factor atractivo de ter um dos melhores museus de arte do Japão: o museu da fundação MOA.

A partir da estação de Mishima também pode apanhar autocarro para as localidades mais próximas do Monte Fuji, onde muitos procuram ficar alojados antes de tentarem uma caminhada mais vigorosa na montanha. Exemplos disso são Gotemba ou Fujinomiya. Gotemba é especialmente procurada devido ao seu outlet ao ar livre dedicado a marcas de luxo, o qual foi estrategicamente criado numa posição com vistas privilegiadas para o Monte Fuji (compras e panoramas dois-em-um). Recentemente usei o terminal de autocarros da estação de Mishima para ir para Moto Hakone, nas margens do lago Ashi, um local muito bonito para caminhadas, e que tem um teleférico espectacular para vistas directas do Fuji-san.

Se estiverem em grupo, e com disposição para gastar algum dinheiro, podem ir de táxi da estação de Mishima ao Grinpa Park. A viagem demora 45 a 50 minutos e deverá ficar a cerca de 50 euros por pessoa (sendo 3 pessoas no táxi). Mas visto que não há autocarro directo nem comboio que passe por lá, é realmente uma das melhores maneiras para lá chegar. O encanto do Grinpa Park é notório sobretudo no mês de Abril, quando há o festival das túlipas e o Monte Fuji se vê claramente ao fundo. O parque em si é um local de diversões com roda-gigante, montanha-russa e outras coisas do género.

Se tiver de passar algum tempo nas imediações da estação de Mishima, recomendo que visite o parque municipal, o qual tem um dos seus portões mesmo em frente da estação. Este parque muda muito com as estações do ano, por isso se for no Verão ou no Inverno, terá experiências totalmente diferentes. Na época das sakura (fim de Março, início de Abril) é especialmente bonito, mas ainda está frio e o lago ainda não tem água. A entrada lateral do parque tem uma bilheteira, custando uns meros 300 ienes, e pode ver miniaturas do monte Fuji nos pilares laterais do portão. O parque é uma espécie de jardim botânico, as árvores estão identificadas por espécie, e inclui uma casa-de-chá que é património classificado. Para quem está a viajar com crianças este é um óptimo sítio para que elas brinquem e corram em segurança. Tem um parque infantil, casas-de-banho, e um pequeno café.

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Ines Matos

Ines Matos @ines.matos

Portuguese free spirit with an acute passion towards Japan. Long time japanese language terrible student. Part-time photographer with incredible luck in finding people willing to exhibit my Japan-themed pictures. Owner of a piece of paper that states I'm an art-historian, post-graduate on namban-art and Portugal-Japan heritage and some other aparently boring stuff. But I do like art and culture... it alows me to know people and places deeply and experience the limits of perception and belief. My proudest achievement is the non-profitable project I've created and have run for some years, connecting Portugal and Japan with news, activities aiming students and teachers, workshops, conferences, etc.  Non-fictional books about Japan: "Um longo Verão no Japão" (A long Summer in Japan), "Geminação Cascais - Atami: história de uma amizade" (Twin cities Cascais and Atami: the story of a friendship), "Património de Cristianismo no Japão" (Intangible Cultural Heritage of Christianity in Japan), all of them in portuguese, two of them are a collection of essays atached to photography exhibitions. E-book free on www.clubotaku.com: "Japão: guia de sobrevivência" (Survivor Guide to Japan), also in portuguese. Several lectures and papers in english can be provided upon request. For video-conferences/on-line learning watch my youtube channel. These are the videos in english: 1- The velvet cape; 2 - Boats and bodies; 3 - Need a flag; 4 - southern point of view; 5 - Tales from within and beyond: the case of the Tanegashima gun - part I and II. https://www.youtube.com/channel/UCRQr5YwNF-VXhr6Gkycl-1A/videos?view_as=public soft spot in Japan: Kyushu and around...

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