Museu de Arte MOA, Atami

Mestres da Escola Rimpa 3 - Korin Ogata

 Por Tomoko Kamishima   25/10/2015

Durante a estação mais fria no Japão, as flores de ameixeira anunciam-nos calmamente o aproximar da primavera. E todos os anos, na altura das flores de ameixeira, o Museu de Arte MOA expõe a melhor obra entre as obras-primas de Korin Ogata, "Flores de Ameixeira Vermelhas e Brancas" 『紅白梅図』. Podemos apreciar a pintura da ameixeira Korin e flores de ameixeira reais ao mesmo tempo neste museu.

Museu de Arte MOA

O Museu de Arte MOA, situado em Atami, Shizuoka, fica apenas a 10 minutos de autocarro da estação de Atami da JR. A coleção é maioritariamente de arte japonesa, incluindo pinturas, caligrafia, cerâmica, e obras de artesanato.

Quando entrar no edifício, será surpreendido pelas escadas rolantes que sobrem até ao portão do museu. Os tetos abobadados estão coloridamente iluminados, e irá sentir como se estivesse a ser engolido pelo interior do edifício. O edifício principal fica no topo de uma colina, oferecendo uma vista fantástica para o mar.

Além dos espaços para exposições, há também um Teatro Noh tradicional e uma sala de chá dourada no edifício. A sala de chá dourada é uma recriação da original de Toyotomi Hideyoshi, de há 400 anos atrás.

O jardim de ameixeiras fica na colina, descendo a encosta desde a paragem de autocarro até ao museu. Existem aqui 280 ameixeiras de 38 tipos diferentes. No meio do jardim, uma agradável casa-de-chá serve chá verde (500 ienes).

Korin Yashiki (residência de Korin; uma reconstituição)

O edifício foi reconstruído no jardim do museu, baseado no plano original de Korin nas notas do carpinteiro. A última residência de Korin foi em Quioto, a partir de 1712 e construiu a casa. Ele passou os últimos cinco anos da sua vida nesta casa e pintou a sua grande obra, "Flores de Ameixeira Vermelhas e Brancas".

Korin Ogata (1658-1716)

Korin foi o segundo filho de uma família rica de mercadores em Quioto que lidava com tecidos de alta qualidade, tingimento, e têxteis para quimono. Ele estava sempre rodeado de designs tradicionais e padrões populares. Cresceu num ambiente muito ligado a estes tipos de beleza tradicional japonesa.

Desde muito jovem, Korin era muito perspicaz no que tocava a desenhar e a copiar padrões de quimono, mas nunca se dedicou seriamente a isso até ter gasto (desperdiçado) toda a sua herança. Ele e o seu irmão mais novo Kenzan eram bastante diferentes um do outro. Kenzan, que se tornara um famoso artista de cerâmica, adorava estudar e trabalhar. Era aplicado em tudo. Por outro lado, Korin vivia no luxo. Gastava demais. Korin costumava ir a casas de gueixas para se embebedar. Em 1687 ele recebeu uma vasta herança do seu pai, mas todo o dinheiro desapareceu em apenas cinco anos! Mesmo depois disso, não conseguiu deixar os seus vícios de consumismo.

Apesar de pensar que pintar obras de arte por dinheiro não era para si, teve de o fazer para se poder sustentar. Em 1697, casou-se com uma mulher sete anos mais nova que ele, e tiveram três filhos. Korin trabalhava arduamente para a sua família, mas ainda assim gastava mais do que ganhava. Estava sempre sobrecarregado com dívidas.

Por volta de 1704, mudou-se para Edo (antiga Tóquio) e, em 1707, foi empregado exclusivamente pela Família Sakai (um clã Daimyo de alta classe). A propósito, foi cerca de 50 anos mais tarde que Hoitsu Sakai (o quarto artista Rimpa nesta série) nasceu na família Sakai. Enquanto Korin trabalhava para os Sakai, ele teve uma oportunidade para copiar o grande biombo "Deuses do Vento e do Trovão" de Sotatsu (o terceiro artista Rimpa nesta série). Korin aprendeu muito com as pinturas de Sotatsu. Mas ao mesmo tempo, apercebeu-se do seu próprio gosto e teve um forte desejo em criar o seu próprio mundo original. Tinha-se finalmente tornado num verdadeiro artista! Em 1712, Korin mudou-se de volta para Quioto permanentemente e construiu uma casa (a casa reconstituída no Museu de Arte MOA). A obra "Flores de Ameixeira Vermelhas e Brancas" nasceu quanto ele finalmente descobriu quem verdadeiramente queria ser.

Flores de Ameixeira Vermelhas e Brancas『紅白梅図』

Um riacho sinuoso correndo entre duas ameixeiras dá uma fantástica primeira impressão. Korin representa vários aspetos contrastantes da sua vida e da vida em geral através desta pintura. O que sente a partir da sua obra?

A ameixeira vermelha contém força e juventude dentro do seu tronco. Também ilustra características sérias e diretas nos seus ramos direitos. E sentimos impressões claras e vivas das suas brilhantes flores vermelhas e poderosa figura em forma de arco. Diz-se que a ameixa vermelha se trata de um espelho do lado positivo da vida de uma pessoa. Poderia refletir os arrojados dias da juventude de Korin.

Por outro lado, a ameixeira branca é velha e fina. Possui flores brancas delicadas e belas, sugerindo uma mente calma, autocontrolada, e estável no seu interior. Esta árvore parece retratar o seu espírito como artista amadurecido.

O rio no centro desta pintura no início é largo, mas de repente fica mais estreito. É também escuro e suavemente sinuoso. Sugere as alterações na vida de Korin. Mas ao mesmo tempo, as curvas são suaves. Ele poderia estar a dizer, "É disto que se trata a vida, a vida verdadeira." Ele pintou esta obra nos últimos anos da sua vida.

Outras obras de Korin e onde as ver

Deuses do Vento e do Trovão 『風神雷神図屏風』 (Museu Nacional de Tóquio)

Íris Iaevigata 『燕子花図屏風』 (Museu Nezu, Tóquio)

Íris e Ponte 『八ツ橋図屏風』 (Museu Metropolitano, Nova Iorque)

A propósito, se estiver interessado/a em arte japonesa, deverá conhecer o biombo "Deuses do Vento e do Trovão" 『風神雷神図屏風』. Os Deuses parecem divertir-se, desfrutando do seu trabalho (fazer vento, ou trovões) e o fundo dourado é brilhante e exótico. A obra original é da autoria de Sotatsu Tawaraya. Mas Korin Ogata, Hoitsu Sakai, e Soitsu Suzuki, todos a copiaram para os seus próprios estudos. É por essa razão que eles são chamados a Escola Rimpa. 

Sobre esta série

A Escola Rimpa começou no Japão do séc. XVI. Os seus mestres usavam estruturas arrojadas, desenhos decorativos mas delicados, e procuravam criar belos espaços abertos. Os artistas categorizados na Escola Rimpa eram conhecidos pela sua tendência a serem independentes e a aprenderem através das pinturas de outros artistas. Nesta série, apresento cinco artistas da Escola Rimpa; mestres que contribuíram com grandes obras para a história da arte do Japão.

1 - Koetsu Hon Ami (1558-1637): Templo Koetsu-ji, Quioto

2 - Sotatsu Tawaraya (1570?-desconhecido): Templo Kennin-ji, Quioto

3 - Korin Ogata (1658-1716): Museu de Arte MOA, Atami

4 - Hoitsu Sakai (1761-1829): Jardim Mukojima Hyakka-en, Tóquio

5 - Soitsu Suzuki (1796-1858): Uma Paixão por Glórias-da-Manhã

Escrito por Tomoko Kamishima
Membro da JapanTravel
Traduzido por Andre Moreira

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